A manhã na Escola Assisolina Assis Andrade ganhou um brilho diferente quando a turma do 9º 02 se reuniu para a Tertúlia dedicada a poemas sobre a consciência negra. O clima era leve, acolhedor e, ao mesmo tempo, carregado de significado. Aos poucos, os estudantes foram tomando seus lugares, alguns ainda ajeitando cadernos, outros ensaiando versos em voz baixa, como quem guarda um pequeno tesouro prestes a ser revelado. Logo se percebia que ali não era apenas uma atividade escolar; era um encontro de sentimentos, memórias e descobertas.
Quando os primeiros poemas começaram a ser lidos, o silêncio da sala virou uma espécie de abraço coletivo. Cada estudante trouxe um olhar único sobre a força da identidade negra, sobre as histórias que atravessam gerações e sobre a resistência que se manifesta até nos gestos mais simples do dia a dia. Alguns versos vinham carregados de emoção, outros traziam reflexões profundas e havia também aqueles que exploravam a beleza da cultura negra com uma leveza quase musical. O mais curioso é que, mesmo tão diferentes, todos pareciam se conectar como peças de um mesmo mosaico.
Aos poucos, a turma foi percebendo que escrever e compartilhar poesia é também uma forma de enxergar o mundo com mais sensibilidade. Houve quem descobrisse um talento escondido, quem encontrasse coragem para ler em voz alta pela primeira vez e quem se emocionasse ao ouvir um colega traduzir em palavras aquilo que tantas vezes falta no cotidiano: reconhecimento, respeito e orgulho. A sala parecia respirar mais devagar, como se cada verso pedisse espaço para ser sentido.
No fim, a Tertúlia não terminou simplesmente com aplausos, mas com conversas que continuaram pelos corredores e olhares que diziam mais do que qualquer frase pronta. A experiência se transformou em uma lembrança compartilhada, daquelas que ficam guardadas não só na memória da turma, mas também na história da escola. A turma do 9º 02 mostrou que poesia não é apenas literatura: é voz, é identidade, é consciência. E quando se junta tudo isso num mesmo espaço, nasce algo bonito demais para ser esquecido.

